domingo, 11 de janeiro de 2009

Mais um capítulo emocionante/One more exciting chapter

Acho que vocês estavam torcendo pela mamãe, não é? Pra desta vez ela ficar grávida mesmo. Ela bem que merecia, coitada. Desde que começou com a idéia ela mudara completamente seus hábitos: só comida saudável, café descafeinado, vitaminas, ácido fólico. Mas a menstruação veio . Mais um mês de controles, tabelas, calendários, muco cervical, mais caixinha de teste de fertilidade. Mamãe costuma dizer que as coisas por si se impõem. Passou mais um mês. Assim foi que pela primeira vez, naquele mês, o teste de fertilidade deu positivo. Mamãe ficou alvoroçada. Agora ela tinha certeza de que estava mesmo ovulando. Ligou correndo para o Tio e combinaram de se encontrar à tarde para a doação. Aquela tarde a mamãe ficou esperando por ele. 1 hora, 2 horas, 3 horas, nada. No começo da noite, já impaciente, mamãe ligou para ele e ele estava completamente afônico, de cama, com uma terrível infecção de garganta, febre e não conseguira levantar-se pela manhã. Pedia milhões de desculpas. Mamãe recolocou o telefone no gancho vagarosamente. As coisas começavam a tomar nova feição em sua cabecinha. Por que exatamente no dia em que ela tinha certeza absoluta de que ficaria grávida ele não pudera vir? Acontecia alguma coisa no tempo holográfico - ela sempre fala isso; eu não sei o que é mas ela disse que um dia me explica - que ela precisava entender. Quando a mamãe precisa entender alguma coisa ela se interioriza, reza, medita. E foi assim nos dias seguintes. Ela não voltou a ligar para o tio e ele não ligou para ela. Passaram mais semanas e a decisão veio, uma decisão que a Tel não aprovara desde o começo: adotar. Não era mais tão fácil. A mamãe estava aposentada por problemas de saúde. Seus outros filhos já não viviam com ela. Ela já ia virar os 50 anos. O que ela diria para a assistente social quando esta lhe perguntasse pelos seus outros filhos? Sem falar que tinha aquela história de viver com outra mulher, sempre um problema quando se trata de adoção. Mamãe tem um casal de amigas que desde o início contou às assistentes sociais que eram um casal. Elas hoje têm a guarda de uma criança, mas ainda não obtiveram a adoção. Mamães as considera extremamente corajosas e reza pra elas conseguirem logo regularizar a situação. Mas a mamãe não é assim tão corajosa. Sempre se apresentou como uma pessoa solteira e sozinha em todas as adoções que fizera antes. Nem seu próprio advogado sabia da condição verdadeira da mamãe. Ela sabe que as pessoas não compreendem que uma criança abandonada precisa de uma mãe e que uma mãe que não pode ter uma criança precisa de um filho. E que ambos vão se amar exatamente como as outras mães e os outros filhos em todas as casas, ricas e pobres, do mundo inteiro. A questão da homossexualidade ou da heterossexualidade não entra nesta equação. Mas como a mamãe, eu agora também sei, as pessoas têm outras idéias .
Curiosamente, naquela semana, a Tel concordou com a adoção. Ela disse apenas duas palavras depois da mamãe ter pedido mais uma vez: que seja. Foi brusco assim. Mamãe correu para a Internet. O último filho que ela adotara, o meu meio irmão Ni que está naquela foto que a gente blogou, é portador do HIV. Mamãe descobriu como era fácil adotar estas crianças. Elas sequer são incluídas nas listas de adoção. Ela entrou na Internet pesquisando casas de apoio nas proximidades. Depois que fez uma pequena lista delas e ligou para saber dos horários de visitas, ela ligou para uma grande amiga, a tia Denise, uma jóia rara preciosa, uma heterossexual, casada e mãe de família, das pouquíssimas de sua espécie que nos vê de fato como uma família. Mamãe pediu a ela que lhe fizesse companhia nas visitas aos orfanatos. Ela se prontificou na hora! Está começando nossa grande aventura de família. Aguardem o meu próximo post! Beijinhos da Clara! (Vocês não imaginam como eles são doces).
I think you are wishing a good final for Mom, aren’t you? For that time she gets pregnant. She really deserved it, poor Mom. Since she began with this stuff, she completely changed her habits: only healthy food, decaffeinated coffee, vitamins, folic acid. However, the menses came again. Another month of controls, tables, schedules, cervical mucus and more pharmacy fertility test. Mom always says all occur as should occur. Another month passed. Then, for the first time, in that month, the fertility test was positive. Mom was agitated. Now, she was assured that she was ovulating.
She called uncle N. and they agreed to meet afternoon for donation. That afternoon Mom was waiting for him: 1 hour, 2 hours, 3 hours and he didn’t come. At the early night, already impatient, Mom called him and he was completely voiceless, on bed with a terrible throat infection, fever and couldn’t stand up. He said a million of apologises. Mom slowly put the phone in its place. In her mind, the stuff was beginning to change.
Why he couldn’t come in that very day in which she was assured that would get pregnant? Something was happening in the holographic time – she always says this stuff, I don’t know what this mean but she sees the life this manner – which she needed to understand. When Mom needs to understand something, she internalises herself, prays and thinks. And this happened in the days that follow. She didn’t call uncle N. and he also didn’t call her. Days passed and the decision came, a decision which Tel didn’t approve since the beginning: adopted a child again. This was not so simple now. Mom was retired because a disease. Her other children didn’t live with her anymore. She would have 50 years old soon. What to say to the social worker when she asked about the other children? Moreover there was that history about to live with a woman. Always a problem if you want adopted a child. Mom has friends, a lesbian couple, which since in the beginning said to the social worker that they are a couple. They now have a child in process of adoption. Mom considered them very much courageous and prays that they achieve soon the adoption. However, Mom is not so courageous. She always said to judges and social workers that she was a single woman in all adoptions she made before.
Even her own lawyer didn’t know about her condition as a lesbian. She knows that people don’t understand that a child needs a Mom and a Mom needs a child. And both of them will love each other exactly the same way the other Moms and children in all rich or poor homes around the world. Homosexuality or heterosexuality issues don’t entry in this equation. However, as Mom, I also know now people have other ideas about this issue. Oddly, in that week, Tel agreed with adoption. She merely said three words: be like this. This was abrupt like this. Mom ran to the computer, in the internet.
Mommy’s last adopted child, my half-brother Ni, who is in that photo we blogger, is HIV positive. Mom found out that was easy adopting children like him. They even entered in adoption official lists. She searched in internet for orphanages with these children in the surroundings. After made a small list of them and called them by phone in order to find out visiting hours, she called a great friend, Aunt Denise, a precious and rare jewel, a heterosexual, married and mother who is one of few in her species that see us as a family. Mom asked her to visit orphanages with her. Our great family adventure is beginning. You should wait for the next post! Kisses from Clara! (You can’t imagine how sweet they are).

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