Mamãe e Tia Denise foram visitar duas casas de apoio que por coincidência ficavam na mesma rua num bairro afastado de São Paulo. Na primeira havia um garotinho de 11 meses que ela considerou para adoção. Mas era só a primeira visita. Havia outros lugares a visitar. Saindo dali as duas entraram na segunda casa. Lá, sentadinho num carrinho de bebê, numa sala onde se passava roupa, estava um menininho pálido de 6 meses de idade. Seus olhos eram tristes. Nesta primeira visita mamãe não o pegou no colo, mas estava definitivamente interessada nele. No entanto, ela e Tel queriam uma menina e então a mamãe achou que devia procurar mais. Mas quando a moça do orfanato disse a data de nascimento dele, mamãe ouviu os sininhos que ela sempre ouve quando algo tem a ver com ela: o garotinho aniversariava um dia antes da Tel! Mais um sagitariano (mamãe e Tel são sagitarianas). Era uma quarta feira. Mamãe ainda fez visitas na quinta e na sexta. Num orfanato ela achou dois menininhos recém nascidos (a Tel preferia um recém nascido). Mas debruçada sobre aqueles berços ela não sentia nada, nada como o que sentira pelo garotinho pálido e triste. Chegando em casa ela falou para a Tel que deveriam ir juntas conhecê-lo. Haveria vistas naquele domingo. Assim, ela, a Tel, a Tia Denise e o Tio Marcelo foram visitar o bebê. Desta vez, as duas pegaram o bebê no colo. Mamãe acompanhava com atenção as atitudes e o semblante da Tel. Tel é uma pessoa muito fechada justamente porque é muito emotiva. Mas a mamãe decifra ela muito bem. Aquele menininho já era filho da Tel. Faltava só a permissão para levá-lo embora. Tia Denise arranjou o advogado. Naquela semana entraram com o pedido de guarda. A mamãe e a Tel foram a um brechó e compraram um berço de madeira escura. Em algumas horas, o escritório do apartamento tinha virado um quarto de bebê e havia roupinhas, mamadeiras, e mil coisinhas esperando o menininho pálido. A Julia, filha da Tel, estava viajando em férias. Não sabia de nada ainda. Elas foram buscá-lo de noite. Tinham passado o dia atrás do Termo de Guarda que é o primeiro documento que a gente consegue numa adoção. Eram 9 horas da noite. Um dia frio de julho. Mamãe levou roupinhas, um conjunto de casaquinho e touca que ela tinha tricotado (aliás, tricotara vários enquanto esperava ficar grávida, o que ela escolheu está na foto deste post tirada ainda no orfanato). As outras criancinhas estavam acordadas. O meu irmãozinho, aquele menininho pálido acordou com a chegada delas. Enquanto mamãe o vestia, o advogado tirava fotos e a Tel sentada, vencida de emoções teve que ouvir frases muito tristes: - Você vai levar o nenê? Você me leva também? Como explicar a uma criança que ela não vai ter uma mamãe, que você só vai levar aquele ali? Por que não eu? A pergunta estava desenhada em cada rostinho, em cada olhar dolorido. A Tel jurou que nunca mais ia tirar uma criança do orfanato. Se tivesse outra vez, a mamãe tinha que entrar lá sozinha. (Ela não cumpriu a promessa: entrou no orfanato quando foi a minha vez). sábado, 17 de janeiro de 2009
Adoção/Adoption
Mamãe e Tia Denise foram visitar duas casas de apoio que por coincidência ficavam na mesma rua num bairro afastado de São Paulo. Na primeira havia um garotinho de 11 meses que ela considerou para adoção. Mas era só a primeira visita. Havia outros lugares a visitar. Saindo dali as duas entraram na segunda casa. Lá, sentadinho num carrinho de bebê, numa sala onde se passava roupa, estava um menininho pálido de 6 meses de idade. Seus olhos eram tristes. Nesta primeira visita mamãe não o pegou no colo, mas estava definitivamente interessada nele. No entanto, ela e Tel queriam uma menina e então a mamãe achou que devia procurar mais. Mas quando a moça do orfanato disse a data de nascimento dele, mamãe ouviu os sininhos que ela sempre ouve quando algo tem a ver com ela: o garotinho aniversariava um dia antes da Tel! Mais um sagitariano (mamãe e Tel são sagitarianas). Era uma quarta feira. Mamãe ainda fez visitas na quinta e na sexta. Num orfanato ela achou dois menininhos recém nascidos (a Tel preferia um recém nascido). Mas debruçada sobre aqueles berços ela não sentia nada, nada como o que sentira pelo garotinho pálido e triste. Chegando em casa ela falou para a Tel que deveriam ir juntas conhecê-lo. Haveria vistas naquele domingo. Assim, ela, a Tel, a Tia Denise e o Tio Marcelo foram visitar o bebê. Desta vez, as duas pegaram o bebê no colo. Mamãe acompanhava com atenção as atitudes e o semblante da Tel. Tel é uma pessoa muito fechada justamente porque é muito emotiva. Mas a mamãe decifra ela muito bem. Aquele menininho já era filho da Tel. Faltava só a permissão para levá-lo embora. Tia Denise arranjou o advogado. Naquela semana entraram com o pedido de guarda. A mamãe e a Tel foram a um brechó e compraram um berço de madeira escura. Em algumas horas, o escritório do apartamento tinha virado um quarto de bebê e havia roupinhas, mamadeiras, e mil coisinhas esperando o menininho pálido. A Julia, filha da Tel, estava viajando em férias. Não sabia de nada ainda. Elas foram buscá-lo de noite. Tinham passado o dia atrás do Termo de Guarda que é o primeiro documento que a gente consegue numa adoção. Eram 9 horas da noite. Um dia frio de julho. Mamãe levou roupinhas, um conjunto de casaquinho e touca que ela tinha tricotado (aliás, tricotara vários enquanto esperava ficar grávida, o que ela escolheu está na foto deste post tirada ainda no orfanato). As outras criancinhas estavam acordadas. O meu irmãozinho, aquele menininho pálido acordou com a chegada delas. Enquanto mamãe o vestia, o advogado tirava fotos e a Tel sentada, vencida de emoções teve que ouvir frases muito tristes: - Você vai levar o nenê? Você me leva também? Como explicar a uma criança que ela não vai ter uma mamãe, que você só vai levar aquele ali? Por que não eu? A pergunta estava desenhada em cada rostinho, em cada olhar dolorido. A Tel jurou que nunca mais ia tirar uma criança do orfanato. Se tivesse outra vez, a mamãe tinha que entrar lá sozinha. (Ela não cumpriu a promessa: entrou no orfanato quando foi a minha vez).
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Meninas....Clara Loy está escrevendo cada vez de forma melhor e mais sensível... está lindo, e só quem conhece bem a ela e a vocês, que são as mães dessa pequena jóia, sabe que tudo isso é verdade! Um beijo grande no coração... quero muito marcar um dia para ir aí mostrar a vocês meu neto adotivo, também, o Kauan, de dois anos e meio... tesouro meu e de Fulvia, também!
ResponderExcluirBeijos,
Maria Rita