sábado, 17 de janeiro de 2009

Adoção/Adoption

Mamãe e Tia Denise foram visitar duas casas de apoio que por coincidência ficavam na mesma rua num bairro afastado de São Paulo. Na primeira havia um garotinho de 11 meses que ela considerou para adoção. Mas era só a primeira visita. Havia outros lugares a visitar. Saindo dali as duas entraram na segunda casa. Lá, sentadinho num carrinho de bebê, numa sala onde se passava roupa, estava um menininho pálido de 6 meses de idade. Seus olhos eram tristes. Nesta primeira visita mamãe não o pegou no colo, mas estava definitivamente interessada nele. No entanto, ela e Tel queriam uma menina e então a mamãe achou que devia procurar mais. Mas quando a moça do orfanato disse a data de nascimento dele, mamãe ouviu os sininhos que ela sempre ouve quando algo tem a ver com ela: o garotinho aniversariava um dia antes da Tel! Mais um sagitariano (mamãe e Tel são sagitarianas). Era uma quarta feira. Mamãe ainda fez visitas na quinta e na sexta. Num orfanato ela achou dois menininhos recém nascidos (a Tel preferia um recém nascido). Mas debruçada sobre aqueles berços ela não sentia nada, nada como o que sentira pelo garotinho pálido e triste. Chegando em casa ela falou para a Tel que deveriam ir juntas conhecê-lo. Haveria vistas naquele domingo. Assim, ela, a Tel, a Tia Denise e o Tio Marcelo foram visitar o bebê. Desta vez, as duas pegaram o bebê no colo. Mamãe acompanhava com atenção as atitudes e o semblante da Tel. Tel é uma pessoa muito fechada justamente porque é muito emotiva. Mas a mamãe decifra ela muito bem. Aquele menininho já era filho da Tel. Faltava só a permissão para levá-lo embora. Tia Denise arranjou o advogado. Naquela semana entraram com o pedido de guarda. A mamãe e a Tel foram a um brechó e compraram um berço de madeira escura. Em algumas horas, o escritório do apartamento tinha virado um quarto de bebê e havia roupinhas, mamadeiras, e mil coisinhas esperando o menininho pálido. A Julia, filha da Tel, estava viajando em férias. Não sabia de nada ainda. Elas foram buscá-lo de noite. Tinham passado o dia atrás do Termo de Guarda que é o primeiro documento que a gente consegue numa adoção. Eram 9 horas da noite. Um dia frio de julho. Mamãe levou roupinhas, um conjunto de casaquinho e touca que ela tinha tricotado (aliás, tricotara vários enquanto esperava ficar grávida, o que ela escolheu está na foto deste post tirada ainda no orfanato). As outras criancinhas estavam acordadas. O meu irmãozinho, aquele menininho pálido acordou com a chegada delas. Enquanto mamãe o vestia, o advogado tirava fotos e a Tel sentada, vencida de emoções teve que ouvir frases muito tristes: - Você vai levar o nenê? Você me leva também? Como explicar a uma criança que ela não vai ter uma mamãe, que você só vai levar aquele ali? Por que não eu? A pergunta estava desenhada em cada rostinho, em cada olhar dolorido. A Tel jurou que nunca mais ia tirar uma criança do orfanato. Se tivesse outra vez, a mamãe tinha que entrar lá sozinha. (Ela não cumpriu a promessa: entrou no orfanato quando foi a minha vez).
Mom and Aunt Denise went to visit two orphanages which by chance were in the same street, at a far district of São Paulo city. In the first one there was a boy 11 months old whom she considered for adoption. But that was only the first visit. There were other places to visit. The two women went to the second home where there was sat on a baby car in a place where the clothes were usually ironed, a little baby boy, 6 months old, very pale. His eyes were sad. In this first visit Mom didn’t take him into her arms but she was definitely interested in that baby. However, she and Tel wanted a girl and then Mom thought that she should search a bit more.
But when the orphanage’s director said his birth date, Mom heard those little bells that she always listens when something has a relationship with her: the baby boy’s birthday was one day before Tel’s! One more Sagittarian (Mom and Tel are Sagittarians). It was a Wednesday. Mom went to more visits in the following Thursday and Friday. In a home she found two newborns (Tel had expressed her preference for a newborn). But, leaned over those cradles, she didn’t feel anything, as she had felt about the pale and sad baby boy. At home, she said to Tel they should go to visit him together
There would have a visiting hour in that Sunday. Then, Mon, Tel, Aunt Denise and Uncle Marcelo went to visit the baby. This time, Mon and Tel carried the baby on their arms. Mom followed Tel’s attitudes and faces with great attention. Tel is a very timid person precisely because she is very emotional. But Mom deciphers her very well. That baby boy already was Tel’s son only missing a legal permission to take him away from that place. Aunt Denise got the lawyer. In that week, they entered with a request for guardianship in a family court.
Mom and Tel went to a second-hand store and bought a blackish wood cradle. Few hours later, the apartment office was turned into a baby bedroom and there were little clothes, baby bottles and a thousand little things waiting for the pale baby boy. Julia, Tel’s daughter, was travelling on vacations. She didn’t know anything yet. They went to take him at night. They had passed an entire day in searching of the guardianship document, which is the first document one obtains in an adoption. It was 9 P.M.
It was a cold day of July. Mom took with her some little clothes, a little coat and cap that she had knitted (as a matter of fact, she knitted several little coats while waiting get pregnant). The other children were awaked. My little brother - that pale baby boy - woke up with their arriving. As Mom was dressing him, the lawyer took some photos and Tel sat down, defeated by harsh emotions had to listen to very sad phrases: Will you take the baby away? Will you take me, too?
How to explain to a child that he or she will not have a Mom, that you only will take away that one. Why not me? The question was expressed in each little face, in each painful look. Tel vowed that she never more would take away another child from an orphanage. If there was another occasion Mom would have to do it alone. (She didn’t fulfill her promise: she entered at the orphanage in my turn).
Posted by Picasa

Um comentário:

  1. Meninas....Clara Loy está escrevendo cada vez de forma melhor e mais sensível... está lindo, e só quem conhece bem a ela e a vocês, que são as mães dessa pequena jóia, sabe que tudo isso é verdade! Um beijo grande no coração... quero muito marcar um dia para ir aí mostrar a vocês meu neto adotivo, também, o Kauan, de dois anos e meio... tesouro meu e de Fulvia, também!
    Beijos,
    Maria Rita

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